
13 de fevereiro de 2009

6 de fevereiro de 2009
Mauricio vai a Aviano, Italia, construir o Manifattura dei Sogni



Quando a crise aperta, o Manufactura aumenta: tenho ido sistematicamente à Italia construir essa pequena companhia, aberta às pessoas comuns, e que já tem o seu teatrinho histórico em Dardago, na Província de Pordenone. Graças à tenacidade da pintora e cenógrafa Laura Trevisan (que sempre trabalhou conosco) e ao diretor e ator Vincenzo Murriano.
O sonho é poder levar espetáculos daqui e vice-versa.
Enquanto isso,continuamos com as últimas réplicas de Pornografia Barata no Satyros e ensaiamos as próximas novidades. Março será mês de ensaios para nós. Nada de espetáculos à meia-noite até o meio Abril...
26 de janeiro de 2009
somente mais três fins de semana, para quem ainda não viu


Pornografia Barata - Curta Temporada de 30 de janeiro a 14 de fevereiro
Sextas e Sábados
Às 23:59h
Espaço dos Satyros I
Praça Roosevelt, 214
Telefone 3258-6345
Ingressos r$20 e r$10
15 de dezembro de 2008
A sala é pequena e vai faltar lugar


Completaremos, em dezembro, seis meses de temporada.
Um grande abraço.
Pornografia Barata
Últimas apresentações
Sexta dia 19 e Sábado dia 20
À Meia-noite!
Espaço dos Satyros I
Praça Roosevelt, 214
Telefone 3258-6345
Ingressos r$20 e r$10
Sérgio Sant´Anna no Manufactura Suspeita

O escritor Sergio Sant´Anna fez uma viagem a São Paulo para gravar e discutir, informalmente, a leitura de seus textos a nós dedicados, partindo do Pirandello de vestir os Nus, objeto do próximo projeto da Companhia.
Aproveitamos a oportunidade para gravar depoimentos do artista plástico Giampaolo Köhler, nosso colaborador, e de nosso irmão escocês Graham Eatough.
Suspect Culture no Manufactura Suspeita

Graham Eatough, diretor e fundador da companhia co-irmã escocesa Suspect Culture, passou 20 dias em São Paulo, estudando os futuros passos das duas companhias com Mauricio Paroni de Castro, seu associado artistico.
12 de novembro de 2008
Pornografia Barata No SESC Santo André
O endereço do SESC é :
Rua Tamarutaca, 302
Santo André - São Paulo
11 4469-1200
Ingressos
R$ 8,00 [inteira]
R$ 4,00 [usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino]
R$ 2,00 [trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes]
Beijos e abraços e aguardamos vocês lá
13 de setembro de 2008
4 de setembro de 2008
Pornografia Barata
Praça Roosevelt, 214
Telefone 3258-6345
30 de julho de 2008
novo horário
Sextas e Sábados de Agosto,
no mesmo Espaço dos Satyros
Espaço dos Satyros I - Praça Roosevelt, 214
Telefone 3258 6345
Ingressos r$20 e r$10
15 de julho de 2008
rodízio de volta


O rodízio dos atores entre as personagens de Pornografia Barata - também usado nas encenações de Pirandello - está de volta à nossa Manufactura. Desta vez, estréia a atriz SIMONA QUEIROZ, ao lado da performance do nosso pequeno engenheiro cego, errhh, engenheiro cênico, Otávio Azevedo. Simona revezará em outros papéis também, a minha ponta incluída... E em agosto será a vez do mágico Célio Amino.
9 de julho de 2008
e mail do atelier
manufacturasuspeita@gmail.com
5 de julho de 2008
a Volta de Pornografia Barata
Não poderia haver reestréia melhor: público pagante - não fizemos qualquer publicidade paga e ainda teve gente que vai ter que voltar nas próximas semanas, por falta de lugar.
Confirma-se a fortuna de um espetáculo que surpreende as pessoas, sempre. O público aceita de cara a ironia e a iconoclastia da coisa. Aos poucos, percebe que ri de suas próprias idiossincrasias e fantasias afetivo-sexuais. Quando embarcou na viagem, a profunda emoção das cenas finais o leva a aplaudir, comovido, a interpretação e a própria vida espelhada ali, sem rodeios, à uma da madrugada de Sexta-feira. É um ótimo aperitivo existencial para o fim de semana.
22 de junho de 2008
novo monólogo da reedição de pornografia barata

"(...)
Quando ele falou o que queria, eu chamei o cara à ordem.
Quis enquadrar o sujeito, recusando-me a falar merda com ele...
Mas naquela noite eu tava me sentindo meio apimentada, sabe, meio curiosa.
Então concordei.
- Só se eu for vegetariana.
Depois de muitos minutos de conversa, o Doutor Inácio - ele queria ser chamado assim - perguntou delicadamente se eu estava pronta para começar ali mesmo, enquanto eu estava segurava o telefone.
(...)"
Pornografia Baratareestréia Dia 4, sexta-feira, à meia noite.
no Espaço dos Satyros I - Praça Roosevelt, 214 -
Tel 3258 6345
Ingressos r$20 e r$10
21 de junho de 2008
reestudo do texto para dia 4 no satyros
17 de junho de 2008
Iconoclastia
pornografia barata no satyrus
Pornografia Barata, sucesso de 2003 do Atelier de Manufactura suspeita, reestréia Dia 4, sexta-feira, à meia noite.
no Espaço dos Satyros I - Praça Roosevelt, 214 -
Telefone
Ingressos r$20 e r$10
Curta Temporada de 4 a 25 de julho, à meia-noite
Direção Mauricio Paroni de Castro
com (em ordem alfabética)
Bruno Kott,Cristine Peron , Diego Ruiz, Fernanda Moura, Mauricio Paroni de Castro, Roberta Youssef,: Célio Amino (ator convidado)
Arranjo de espaço e luz a partir de processo criativo da companhia
Dramaturgia de Mauricio Paroni de Castro e Atelier de Manufactura Suspeita, a partir de textos anônimos da web, Nietszche e Andrés Lima
Produção executiva de Claudia Burbulhan e Fernanda Moura
Foto de cena Hilton Ribeiro
Contribuição Figurinos: Fetish Shiny
Composta por cenas curtas e seriadas, a peça percorre a intimidade de encontros entre clientes e prostitutas e a intimidade de casais pouco ortodoxos. Não se confunde, porém, com a exibição pura e simples de sexo explícito que o título parece evocar.
Pornografia Barata encara com profundidade e coragem o sexo mercenário ou livre, privado ou público. É um espetáculo caracterizado por um vivo contraste entre a ferocidade licenciosa e libertina do início e a suavidade de sua conclusão.
A peça se desenrola e se confunde com um peep-show. Os atores se colocam no limite da representação, com o público a questionar se eles estão ou não representando. Há a sensação de invadir uma realidade cujo acesso jamais nos permitidos ter. A ironia, a ambigüidade e a diversão inerentes ao sexo compartilhado em público são os ingredientes principais da trama. A gramática da encenação é libertária e iconoclasta, ao valer-se de figurinos fetichistas, falas escandalosos, amores radicais e descontração erotizada.
9 de maio de 2008
Como você me quer


Olá pessoal, segue a reprodução dos escritos do Marcelo Coelho em seu blog.
Beijos e abraços
Como Você Me Quer
Sempre tive um bocado de prevenção contra Pirandello. A surpresa de uma peça como "Seis Personagens em Busca de um Autor" parece que se esgota, a meu ver, numa época saturada de metalinguagem, de filmes que falam de filmes, de romances que são como cobras engolindo o próprio rabo, e até nos quadrinhos de "Mônica" surge, de vez em quando, o desenhista em crise de inspiração ou interagindo com os personagens que criou.
A idéia de que tudo é representação, e que atrás de uma máscara não se encontra nada além de outra máscara, pode ter sido importante para discutir a chamada "crise intelectual do século 20", mas afinal pode ser também um mero truque sofístico.
Tive uma ótima surpresa ontem, assistindo a "Como Você Me Quer", uma peça de Pirandello bem mais profunda do que esse jogo a que me referi. Nesse drama, está em funcionamento, mais uma vez, toda aquela história de que cada indivíduo é apenas uma personagem criada pelos outros, ou por si mesma, e de que não há uma "verdade interior", nem mesmo uma "verdade factual" capaz de dizer quem e o quê, de fato, cada um é.
Acontece que esse labirinto de identidades está, no caso dessa peça, a serviço de uma situação dramática real, em que uma personagem de carne e osso de fato tem de "enganar" as pessoas à sua volta –sem que o espectador saiba em momento nenhum se se trata de um embuste mesmo ou se a personagem apenas finge estar enganando os outros para descobrir quais suas verdadeiras intenções.
A atenção intelectual do espectador se mantém desperta o tempo todo, sem que o texto perca em clareza na montagem –que teve a excelente idéia de fazer com que vários atores assumissem, alternativamente, o papel dessa personagem. Acentua-se, assim, a presença das múltiplas "personalidades" que a protagonista assume quando engana ou quando diz a verdade aos outros; e, ao mesmo tempo, evita-se que o peso de um papel dificílimo recaia apenas sobre uma das atrizes da companhia.
Todos –atores e atrizes— estão numa sinuca, pois têm de representar
bem e, ao mesmo tempo, têm de representar mal. Uma pessoa tentando fingir que é outra pessoa nunca é perfeita em seu fingimento; acontecem exageros, momentos inconvincentes, etc. Como um ator pode fazer isso sem dar a impressão de que representa mal também?
Ziza Brisola (grávida), empenha-se com sucesso e no fio da navalha do dramalhão nessa tarefa. Fernanda Moura, que é quem começa assumindo o papel da protagonista na peça, é uma sofisticada presença no palco, ao estilo das divas italianas de outros tempos, mas se ressente do fato de que a complexidade da situação ainda não foi exposta plenamente para o espectador naqueles momentos iniciais; um pouco mais de estilo "cinema mudo", e menos drama, talvez a beneficiasse.
A encenação de Mauricio Paroni de Castro não cai no erro comum de acrescentar novos elementos e maluquices a um texto que já é
suficientemente complexo em si mesmo. Ou melhor, acrescenta uma de que não gosto: um longo balé de travestis, quando os atores masculinos passam a representar, também, o papel da protagonista.
Entretanto, a idéia de deixar uma cadeira de rodas vazia, num momento crucial da peça, que não posso descrever em detalhes, é um bom "acréscimo", acho. Tira, na verdade, uma coisa que imagino existir numa encenação tradicional, e ao mesmo tempo a idéia geral do espetáculo se fortalece.
"Como Você Quer" está sendo encenada toda quarta-feira, às 21h, noTeatro João Caetano, com direção de Maurício Paroni de Castro –que, à frente da Companhia Manufactura Suspeita e da Companhia Linhas Aéreas, teve o gesto amigo de encenar as histórias de Voltaire de Souza nos Satyros, ano passado. Às quintas, no mesmo horário e teatro, eles encenam outra peça de Pirandello, "Cada um a seu Modo".
Escrito por Marcelo Coelho
segue outra crítica de Mauro Fernando, da APCA
COMO VOCÊ ME QUER e CADA UM A SEU MODO
Fiéis a Pirandello
A famosa Fulana aparece nua na capa de uma revista masculina; no mês seguinte surge com a filha de 3 anos num paraíso exclusivo de uma revista de celebridades. Qual das duas é a verdadeira: a fêmea que irriga o imaginário masculino ou a mulher que povoa o universo feminino? Ou ambas? Ou nenhuma? Essa dicotomia ser/parecer, realidade/ilusão, rosto/máscara enlaça a sociedade do nosso tempo à obra do siciliano Luigi Pirandello (1867-1936).
Ao desbastar a objetividade das certezas e grifar a subjetividade das possibilidades em meio ao requinte metalingüístico de pelas como Seis Personagens à Procura de um Autor, Pirandello demonstrou sua vocação para questionar as coisas do mundo. Sob a direção de Maurício Paroni de Castro, é o que pretendem demonstrar a Cia. Linhas Aéreas e o Atelier de Manufactura Suspeita com o projeto Cada um a seu Modo, que reúne no Teatro João Caetano, em São Paulo, dois textos do autor italiano (Como Você me Quer e Cada um a seu Modo).
O procedimento pirandelliano funda-se em algumas premissas básicas, assumidas até as últimas conseqüências. Em primeiro lugar, eu posso crer-me alguém, mas sou tantos quantas são as pessoas que me contemplam, já que as imagens não se igualam. (...) Por outro lado, se eu me creio hoje um, essa pessoa não é a mesma de ontem e não serei igual ao de amanhã. O fluxo da vida pode acumular imagens parecidas, numa mesma linha direcional, mas ninguém estará fixado numa realidade única e imutável, explica o crítico Sábato Magaldi no livro O Cenário no Avesso. É lícito inferir: a roda da História gira.
Com uma ironia sofisticada e rascante, Pirandello permite perceber em peças que não vêm com data de validade uma visão um tanto pessimista atada à sociedade que se enovelou nos próprios equívocos, à hipocrisia condicionada por relações sociais pautadas pela falsidade. Nutridos pelos próprios sonhos, todos podem viver no mundo enganoso das aparências. Mas esse mundo ilusório cobra seu preço: favorece a incapacidade crítica ao esgarçar a identidade do indivíduo.
O centro do enredo de Como Você me Quer está na mulher que leva uma vida dupla: a frívola Elma ou Lúcia, a esposa desaparecida de Bruno? Motivos financeiros em relação à família de Bruno movem sua busca pela desaparecida. Todos os atores (Alexandre Magno, Fabio Marcoff, Fernanda Moura, Vanderlei Bernardino e Ziza Brisola) interpretam a enigmática mulher em momentos diferentes da montagem, instigando no público a reflexão sobre os dilemas da identidade e das aparências.
Conta-se que Pirandello escreveu Cada Um a Seu Modo inspirado no suicídio de um escultor que surpreendeu a noiva, uma atriz, nos braços de um barão. O jogo metateatral se faz presente: uma companhia encena a peça baseada nos acontecimentos reais quando a atriz e o barão chegam para contestar os personagens neles inspirados. Conforme a ambientação cênica elaborada por Paroni de Castro, Magno, Marcoff, Fernanda, Bernardino, Ziza e Roberto Alencar (que atua apenas nesta montagem), o plano da realidade é representado no fundo do tablado e o da ficção, na frente. O palco, assim, é visto pelo avesso, acentuando a discussão, embutida no texto pirandelliano, sobre uma ética ambígua.
Os recursos antiilusionistas utilizados nos dois espetáculos enfatizam as questões caras ao autor e isolam os contornos melodramáticos das tramas, leitura possível em montagens convencionais; nota-se estar diante de produções que se diferenciam do mercado teatral. O esforço do homogêneo elenco, que retrabalhou os textos originais, anda em sintonia com as idéias e brincadeiras cênicas de Pirandello.
O programa de Cada um a seu Modo esclarece o subtexto sobre o qual se debruçam a Cia. Linhas Aéreas e o Atelier de Manufactura Suspeita: A mensagem, amarga, do abaixamento da arte ao nível da exposição indecente de intimidades de famosos ou boçais e o conseqüente arrivismo social e decadência do gosto. O trabalho das duas companhias, na trincheira dos que ambicionam tornar visíveis as transformações sociais, não é pequeno.
Escrito por Mauro Fernando

